Em muitas empresas, a decisão entre manter uma frota própria ou terceirizar veículos começa com uma conta aparentemente simples: valor de compra ou financiamento versus valor de locação.
Mas essa comparação quase sempre está incompleta. O custo real de um veículo corporativo vai muito além da parcela mensal ou do valor de aquisição. Ele inclui uma série de despesas diretas e indiretas que impactam o caixa, a produtividade e o risco operacional da empresa.
Neste artigo, você vai entender como calcular o custo total de propriedade (TCO) de um veículo corporativo e por que muitas empresas subestimam esse valor na prática.
O que é o custo real de um veículo corporativo
O custo real — também chamado de TCO (Total Cost of Ownership) — representa quanto um veículo custa de fato para a empresa durante todo o período em que permanece na operação.
Ele inclui:
- custos financeiros
- custos operacionais
- custos administrativos
- custos de indisponibilidade
- custos de risco
Ou seja, não é apenas “quanto o veículo custa”, mas quanto ele custa para funcionar continuamente dentro da operação.
Por que empresas subestimam o custo da frota própria
Existem três motivos principais:
1. Custos pulverizados em centros diferentes
Manutenção pode estar na operação, seguro no financeiro, combustível em cartões e multas no RH.
Sem consolidação, o custo total não aparece.
2. Custos indiretos invisíveis
Tempo de gestão, veículo parado, motorista ocioso e perda de produtividade raramente entram na conta.
3. Foco apenas no investimento inicial
A compra do veículo é visível e tangível.
O restante ocorre ao longo do tempo e parece menor do que realmente é.
Componentes do custo real de um veículo corporativo
Para calcular corretamente, é preciso considerar todos os blocos de custo abaixo.
1. Custo de aquisição ou capital
Inclui:
- valor de compra ou entrada
- juros de financiamento ou leasing
- custo de oportunidade do capital
- depreciação
- valor residual
Exemplo simplificado
Veículo: R$ 120.000
Valor de revenda após 5 anos: R$ 60.000
Depreciação: R$ 60.000
Depreciação mensal: R$ 1.000
Mesmo sem financiamento, o veículo custa R$ 1.000/mês apenas em perda de valor.
2. Manutenção preventiva e corretiva
Inclui:
- revisões
- peças
- pneus
- desgaste
- falhas inesperadas
Em veículos operacionais, a manutenção pode representar 20% a 40% do custo total ao longo da vida útil.
E há um fator crítico: quanto maior a idade da frota, maior a imprevisibilidade.
3. Combustível ou energia
Normalmente o custo mais visível da frota, mas ainda assim subestimado porque:
- variação de consumo por motorista
- variação de rotas
- ociosidade em trânsito
- uso fora da operação
Sem telemetria ou controle, o gasto real pode ser 15–30% maior do que o previsto.
4. Seguro e gestão de risco
Inclui:
- seguro
- franquias
- sinistros não cobertos
- gestão de acidentes
- terceiros
- indenizações
Frotas operacionais têm exposição maior que veículos particulares.
Acidentes não impactam apenas o custo — impactam a operação.
5. Documentação e taxas
Itens recorrentes e obrigatórios:
- IPVA
- licenciamento
- emplacamento
- inspeções
- tacógrafo
- regularizações
Individualmente parecem pequenos, mas no ciclo total representam parcela relevante.
6. Custos administrativos da frota
Um dos blocos mais ignorados.
Inclui:
- equipe de gestão
- controle de manutenção
- agendamentos
- pagamentos
- controle de multas
- controle de documentos
- fornecedores
Mesmo em frotas pequenas, há horas de trabalho dedicadas.
Isso é custo real.
7. Custo de indisponibilidade
Um dos mais críticos e menos calculados.
Quando o veículo para:
- entrega atrasa
- rota falha
- motorista fica ocioso
- cliente é impactado
- receita pode ser perdida
O custo não é apenas o conserto — é a operação parada.
Em logística, indisponibilidade costuma ser um dos maiores custos ocultos.
8. Custo de substituição e backup
Empresas com frota própria frequentemente precisam:
- veículos reserva
- locações emergenciais
- contratação de terceiros
Isso ocorre quando:
- há manutenção
- há sinistro
- há pico de demanda
Sem planejamento, o custo emergencial é sempre maior.
9. Gestão de multas e comportamento
Outro custo invisível:
- multas
- infrações
- direção agressiva
- desgaste prematuro
- consumo elevado
Comportamento do motorista impacta diretamente:
- combustível
- manutenção
- pneus
- risco
Fórmula prática do custo mensal real
Uma forma simplificada de cálculo mensal:
Custo real mensal =
- depreciação
- financiamento
- manutenção média
- combustível
- seguro
- taxas
- gestão
- indisponibilidade estimada
Exemplo completo de cálculo
Veículo utilitário leve operacional:
- Depreciação: R$ 1.000
- Manutenção média: R$ 900
- Combustível: R$ 2.500
- Seguro: R$ 450
- Taxas: R$ 200
- Gestão administrativa: R$ 300
- Indisponibilidade estimada: R$ 400
Custo real mensal: R$ 5.750
Muitas empresas estimariam apenas:
- parcela ou depreciação
- combustível
≈ R$ 3.500
Diferença: +64% de custo oculto
Impacto da idade do veículo no custo
O custo real não é linear ao longo do tempo.
Fase 1 — Veículo novo
- manutenção baixa
- alta disponibilidade
- custo previsível
Fase 2 — Meia-vida
- manutenção crescente
- mais paradas
- menor eficiência
Fase 3 — Envelhecimento
- falhas frequentes
- indisponibilidade
- custo imprevisível
Na prática, veículos antigos podem custar mais do que novos.
O erro comum na comparação com locação
Empresas costumam comparar:
- parcela do veículo
vs - mensalidade de locação
Mas a locação inclui:
- manutenção
- seguro
- gestão
- substituição
- disponibilidade
- risco
Ou seja, compara-se custo parcial vs custo completo.
Isso distorce a decisão.
Quando o custo real da frota própria dispara
Situações típicas:
- frota envelhecida
- operação intensiva
- alta quilometragem
- múltiplos motoristas
- rotas urbanas
- paradas frequentes
- veículos especializados
Nesses cenários, o TCO cresce rapidamente.
Como calcular o custo real na sua empresa
Passo a passo prático:
1. Liste todos os veículos
Tipo, idade, uso e quilometragem.
2. Levante 12 meses de despesas
- manutenção
- combustível
- seguros
- taxas
- peças
- terceiros
3. Calcule depreciação anual
Valor de compra – valor atual ÷ anos.
4. Estime custo de indisponibilidade
Horas paradas × custo operacional por hora.
5. Some custos administrativos
Horas da equipe × custo hora.
6. Divida pelo número de meses
Você terá o custo real mensal.
O que empresas descobrem ao fazer esse cálculo
Resultados comuns:
- custo 30%–70% maior que o estimado
- veículos antigos muito caros
- manutenção maior que esperado
- indisponibilidade relevante
- custo de gestão ignorado
Esse é o ponto em que muitas empresas revisam o modelo de frota.
Benefícios de conhecer o custo real
Quando o TCO é conhecido, a empresa ganha:
- decisões mais precisas
- previsibilidade financeira
- controle de custo logístico
- base para comparação com locação
- planejamento de renovação
- redução de risco
Sem esse número, a gestão de frota é baseada em percepção.
Custo real e estratégia logística
Frota não é apenas ativo — é infraestrutura operacional.
Quando o custo real é alto:
- margens caem
- competitividade reduz
- serviço sofre
- escalabilidade limita
Empresas com logística madura tratam frota como componente estratégico, não apenas patrimonial.
Conclusão
O custo real de um veículo corporativo vai muito além do valor de compra ou da parcela mensal. Ele inclui manutenção, gestão, indisponibilidade, risco e perda de valor ao longo do tempo.
Sem considerar todos esses fatores, a frota própria parece mais barata do que realmente é — e decisões estratégicas podem ser tomadas com base em números incompletos.
Calcular o TCO da frota é o primeiro passo para uma gestão logística eficiente, previsível e sustentável.
Se a sua empresa ainda não consolidou o custo total da frota, esse diagnóstico costuma revelar oportunidades relevantes de eficiência e previsibilidade operacional.
O Grupo Ledani apoia empresas na análise do custo real da operação logística e na avaliação de modelos de frota mais adequados a cada cenário.
Se fizer sentido para sua operação, vale conversar com nosso time técnico para entender como esse cálculo se aplica à sua realidade.

